Nos últimos meses, o Brasil foi alvo de repentinos apagões, que afetaram alguns estados brasileiros. O primeiro de grande proporção ocorreu no dia 22 de setembro, graças a uma pane em um transformador que deixou às escuras mais de seis estados na região Nordeste do país, como Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, por 25 minutos.
Jeferson D'Addario - Sócio diretor da DARYUS Consultoria, consultor sênior há mais de 15 anos em TI, Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios. Certificado pelo DRII - Disaster Recovery Institute International - USA, BCI - Business Continuity Institute - UK, CRISC - Certified Risk Professional pela ISACA - USA
Já no dia 03 de outubro, outro apagão repentino, ocorrido por causa de um incêndio em um equipamento de um dos quatro transformadores da usina hidrelétrica de Itaipu, foi o responsável pela queda de energia por meia hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, afetando também os estados Acre e Rondônia, localizados na região Norte.
Após o último apagão, ocorrido em 25 de outubro, no início da madrugada, que afetou a região Nordeste do país e parte dos estados do Pará e Tocantins, na região Norte, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, admitiu que não é normal que tais falhas no fornecimento de energia ocorram repentinamente no país.
Mas, mesmo com toda a tecnologia à disposição, não é possível, sem o auxílio de profissionais especializados, identificar todas as ameaças e preparar um plano de contingência eficiente, responsável por minimizar os impactos e salvar vidas. Sozinhos, os governos também não estão preparados para evitar problemas como a escassez de água potável, saneamento básico, eletricidade, serviços de saúde, alimentação, entre outras necessidades, consideradas vitais para a sobrevivência. Para isso, contam com a colaboração de empresas e profissionais de diversos países, para minimizarem tais impactos e apresentarem ações rápidas e eficientes.
Esse é um desafio que daqui em diante deve ser primordial, afinal, é impossível prever quando essas catástrofes podem bater à porta. Ou seja, em continuidade de negócios dizemos sempre que a preparação e o condicionamento salvam vidas e minimizam impactos aos envolvidos. Para isso, é preciso conscientizar as instituições governamentais e privadas sobre a necessidade de se preparar para o inesperado e garantir a segurança da população, fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer país.
Em resumo, é preciso um conjunto de estratégias, planos de ações e planos de continuidade que garantam que serviços essenciais tenham seus riscos mapeados, investimentos em medidas de tratamento destes, e para que sejam devidamente preservados garantindo as menores perdas, seja para a sociedade ou para o próprio setor público.
Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios
Estamos em 2012, e desde 1990 sabemos que o mundo mudaria muito, principalmente devido ao BOOM tecnológico e a Internet. Energia, infraestrutura pública, transporte, saúde, saneamento básico e educação são facilmente encontrados em planejamentos da época, até os dias atuais. O que falhou tanto? Por que continuamos com os mesmos problemas, e as grandes cidades a beira de um colapso? E para eventos sazonais como Copa ou Olimpíadas como estaremos preparados?
Em Gestão de Riscos Estratégicos, especificamente em Continuidade de Negócios, fundamentamos que a preparação é a alma do negócio, ou seja, um Plano de Continuidade de Negócios pode ser o desfibrilador para uma empresa durante uma situação de crise ou desastre. Veja o exemplo das empresas públicas e privadas recentemente nos EUA, onde vivenciaram o Furacão Sandy. Ou o Japão, que gerenciou, continuou e recuperou-se em tempo recorde. Eles estavam preparados há tempos, ou fizeram tudo de última hora?
A dependência de energia elétrica é cada vez maior daqui pra frente. Mais tecnologia, mais energia e maior dependência. Uma conexão de Internet só funciona com energia. Um tablet ou um smartphone idem. Empresas param, receitas caem e desemprego é gerado.
O absurdo do descaso
Algumas coisas são curiosas, como há quanto tempo falamos da falta de planejamento urbano e ambiental nas zonas urbanas de grande volume no Brasil: 10, 20, 30 anos? Creio que sim. E o que se fez? Nada. Ou o insuficiente. É um jogando a culpa no outro e ponto. O que me assusta, é que estamos todos no mesmo barco! Há quanto tempo falamos sobre árvores mortas causando problemas em SP? De chuvas detonando a cidade? De problemas com a rede elétrica? Isso tanto faz em SP, RJ e outros grandes centros. Questionam-me se grandes centros estão preparados para situações de crises e desastres, e a resposta é NÃO!
Entenda parte do problema
Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e algumas outras forças públicas merecem todo o nosso respeito, e digo mais, fazem literalmente milagres e possuem 99,9% dos seus homens praticantes de um ideal nacionalista e humano que é de se invejar. Primeiro, por causa dos baixos salários, segundo, pelos investimentos equivocados e muitas vezes errados, terceiro por politizar muitas vezes assuntos meramente técnicos, e mesmo assim fazem a diferença. São heróis! E é por isso que corrigem, até certo ponto, muitos dos erros dos políticos que não estão ligando para nada que apontamos aqui. O problema é que remediamos demais!
Gerenciar riscos é muito mais do que remediar, é estar preparado mesmo! Mapear riscos em uma cidade, como em uma empresa, significa estudar mais rapidamente situações de risco, contabilizá-las, tratá-las e, principalmente, aplicar controles de mitigação antes que aconteçam determinados problemas. A gestão de continuidade de negócios é uma disciplina que pode auxiliar desde o cidadão, o pequeno empresário ou até mesmo a grande empresa a se preparar para situações adversas como esta, para manter suas funções essenciais. Isto inclui o setor público também.
Bom, a iniciativa privada tem o dever de investir para minimizar os impactos, e exigir menos impostos devido a estes investimentos em Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios, bem como prêmios de seguros menores. Porém, não exclui empresas de serviços essenciais como as de Telecomunicações e Energia a investirem mais do que falam. Poderiam investir a metade do valor das multas que recebem da Anatel e Aneel que estariam muito mais preparadas.
Uma ação conjunta - Um risco menor
Falamos sempre para as empresas que Riscos, Continuidade e Segurança são responsabilidade de todos na organização. Esta mesma dica cabe aos serviços públicos essenciais e à população que precisa exigir com mais fervor que o Governo, Prefeitura e empresas envolvidas atuem conjuntamente no planejamento de Gestão de Riscos Estratégicos e Continuidade de Negócios, minimizando crises e atuando mais organizadamente em situações como estas.
Jeferson D'Addario - Sócio diretor da DARYUS Consultoria, consultor sênior há mais de 15 anos em TI, Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios. Certificado pelo DRII - Disaster Recovery Institute International - USA, BCI - Business Continuity Institute - UK, CRISC - Certified Risk Professional pela ISACA - USA
FOnte: administradores.com












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